O Arklay’s Library está de volta

NÃO É FAKE NEWS!

O Arklay’s Library está de volta às atividades.

É isso mesmo que você leu. Depois de dois anos de hiato total, este blog está de volta à ativa. Lenta e vagarosamente, é verdade. Em tempos de expectativa por Resident Evil Requiem, imagino que o retorno nada triunfal desta humilde biblioteca não seja a prioridade da comunidade de RE, mas estou aqui mesmo assim porque finalmente foi possível voltar.

O texto que você está lendo é duas coisas: uma explicação do meu sumiço e um direcionamento de como as coisas vão ser daqui pra frente.

Por que o Arklay’s Library ficou parado?

Eu não vou explicar super detalhadamente tudo o que aconteceu nesse período de hiato, mas vou falar um pouco para vocês entenderem por que eu desapareci.

O Arklay’s Library nasceu em um momento da minha vida em que eu estava bem perdida profissionalmente, sem emprego, no meio da pandemia, lá em maio de 2021, um pouco antes do lançamento do Village. Eu sempre tive o sonho de ter um blog de Resident Evil e aquela pareceu a hora certa. A recepção de vocês foi maravilhosa e eu sou imensa e eternamente grata por isso.

Porém, o Arklay’s nunca foi monetizado. Era um hobby mesmo. Então não tinha como ele ser a prioridade o tempo todo. E aí em 2022 surgiu uma super oportunidade de emprego temporário ao mesmo tempo em que eu estava fazendo uma pós-graduação e me qualificando para outras atividades. Nesse emaranhado de obrigações, o Arklay’s teve que ficar um pouco de lado, mas eu ainda publicava alguma coisa. Eu postei um pouco nesse período até 2023, tanto no blog quanto no Twitter, e aí sumi.

O que aconteceu entre 2023 e agora é que eu estava num processo de me reencaixar profissionalmente que não foi nada fácil. Tentei fazer outra faculdade, que não deu certo (e acho que até me deixou mais burra kkkkk), tive outros trabalhos, muitos altos e baixos, e agora que estou me reestabelecendo. E como vocês devem imaginar, não foi um processo fácil e me consumiu muito.

Rebecca Chambers em Resident Evil Vendetta. Ela está toda suja de sangue de um zumbi e fazendo sinal de positivo com a mão, mas está com uma expressão de "estou bem mas não muito".

Um outro aspecto fundamental do meu sumiço foi o frenesi e a pressão das redes sociais. É muita gente falando sozinha e com você ao mesmo tempo, e….eu sou uma pessoa introvertida e com alguma ansiedade social. Então, por mais que 99% das pessoas fossem extremamente gentis comigo e eu tivesse (e ainda tenha) um genuíno carinho por vários de vocês, eu estava muito desgastada. Tanto pelo ritmo das redes quanto pela minha vida fora da internet. Nesse contexto, sumi das redes do Arklay’s e também passei a usar bem menos as minhas redes sociais pessoais, o que me fez um bem danado.

Eu não pretendo voltar atrás nisso. Por isso, as redes do Arklay’s serão usadas essencialmente para divulgar textos novos, dar recados e talvez para falar uma ou outra coisa mais pontual. Não porque eu não goste de trocar ideias ou de participar da comunidade. Mas porque percebi que não consigo dar atenção pra todo mundo e pra todos os assuntos e tretas.

E como vai ser daqui pra frente?

Antes de mais nada: o blog volta com o mesmo formato, a mesma proposta e o mesmo rigor com qualidade. Mas, como vocês já devem imaginar, não vou publicar textos com tanta frequência.

Nem todo mundo entende isso, mas os textos do Arklay’s são fruto de muito tempo de estudo. Leitura de às vezes oito, dez artigos, livros inteiros, aulas e, claro, meu background acadêmico como historiadora. Isso sem contar a pesquisa sobre o próprio lore de Resident Evil, porque eu também tenho minhas dúvidas. E é por isso que era impossível conciliar o resto das minhas atividades com o blog.

Eu sempre prezei muito mais pela qualidade do que pela quantidade. Não pretendo mudar isso nessa próxima fase. Isso vai diminuir meu alcance? Vai. Mas está tudo bem.

Como bônus, quero transformar alguns conteúdos que fiz para o Instagram no passado em textos do blog, o que pode trazer mais conteúdo por um tempo.

Já as redes, como falei ali em cima, serão usadas para divulgar novas publicações e recados. Isso não significa que eu não vá responder ninguém ou que nunca vá comentar nada sobre novidades de Resident Evil, só que serei substancialmente menos presente.

Estarei no Instagram, no X (o mínimo possível, porque *tóxico*) e no Bluesky.

Quanto a Resident Evil Requiem, só vou escrever sobre ele quando eu de fato tiver algo a dizer. Confesso que estou gostando da sensação de mistério e de inesperado que o jogo está trazendo para nós e quero continuar aproveitando.

Grace Ashcroft em Resident Evil Requiem. Ela é branca e loira de cabeços curtos. Ela mexe em um computador em meio a uma pilha de papeis em um gabinete.

Vocês também vão notar que eu adicionei uma página “Apoie o Arklay’s” ao site. Eu relutei um pouco com isso, porque tudo o que eu tenho para oferecer no momento é que o blog continue existindo. Mas se por acaso alguém tiver vontade de mandar um pix, ficarei muito feliz. Qualquer contribuição, por menor que seja, ajuda muito.

Dito isso, galera, o Arklay’s Library é, pra mim, um espaço que eu faço porque eu gosto e porque eu estou me sentindo bem para continuar fazendo agora. Estou aqui para me divertir e para trazer um bom conteúdo independentemente do hype. Eu ensaiei este retorno por muitos meses antes de ter certeza de que era possível, e vou me esforçar para valer a pena, mesmo que o algoritmo não favoreça o meu ritmo.

Espero que, apesar de tudo, vocês continuem gostando daqui.

Obrigada por tudo até aqui e nos vemos por aí!

É possível gostar de um jogo sem jogá-lo?

Uma sala cheia de crianças e/ou adolescentes. Uma pequena televisão de tubo de 14 polegadas. Uma pequena máquina com um ou dois controles. Todos os presentes estão vidrados na tela com os acontecimentos enquanto uma ou duas pessoas jogam; às vezes os controles vão passando de mão em mão a cada round ou cada vez que o personagem morria no jogo. Para quem cresceu nos anos 1990 e e nos primeiros anos da década de 2000, essa provavelmente foi uma cena comum para aqueles que tiveram acesso ao mundo dos videogames desde aquela época. Podia ser um SNES, um Playstation 1 ou 2, um Nintendo 64, um DreamCast, e isso quando não era em torno de uma máquina de arcade em alguma lanchonete ou lanhouse local.

Foram muitas as pessoas que entraram em contato com os videogames vendo seus irmãos mais velhos, primos ou amigos jogarem enquanto assistiam fascinadas. Mesmo não experimentando o jogo em si na época ou até mesmo nunca chegando a jogar aquele jogo em específico, assim fomos nos apaixonando por histórias e por personagens que estão conosco até os dias de hoje.

Anos mais tarde, com o advento da internet e principalmente do YouTube e das plataformas de streaming como a Justin.tv (hoje a Twitch), passamos a ter acesso a gameplays de jogos que achávamos que nunca mais veríamos e a muitos outros que foram lançados posteriormente. Pessoas que nunca terão dinheiro para ter um videogame podem apreciar essa arte – porque videogame é uma arte – por esses meios e assim estarem inseridas na comunidade de algum modo.

Modelo 2D de um controle de videogame genérico, com botões direcionais, Select, Start, A e B.

É claro que jogar e assistir são experiências muito diferentes. Quem não joga não consegue avaliar gameplay com profundidade e nem explorar totalmente os cenários (eu mesma sinto muita falta disso hoje em que quase não jogo mais), assim como muitas vezes uma pessoa joga muito um jogo mas conhece pouco de sua história (olá, files!). Mas nem por isso um ou outro deixa de ser fã, deixa?

Uma vez, meu companheiro comentou que, em um período de ressaca literária, ele recorria aos games para se inserir em novas histórias. E eu nunca tinha parado para pensar em como, de fato, os games fazem o mesmo papel que os livros e os filmes em nos levar ao mundo da ficção. Parecia muito diferente por conta da experiência ativa que é jogar videogame, porém, de fato acompanhar a narrativa e os personagens de um jogo nos envolve e apaixona tanto quanto em outras mídias.

E essas histórias também nos fazem refletir. Olhem só quantas discussões temos feito aqui no Arklay’s Library sobre Resident Evil e a nossa realidade, sobre inspirações históricas e culturais, sobre literatura. E são infinitos jogos que trazem essa possibilidade para além da mera diversão: Silent Hill e suas reflexões sobre os próprios demônios; Death Stranding sobre recriar as conexões que destruímos com nossas guerras; Red Dead Redemption e sua belíssima recriação do Velho Oeste; Assassin’s Creed com seus cenários muito bem estudados, além de modos incríveis como o Museu Virtual do Egito Ptolomaico de Assassin’ Creed Origins (que inclusive é o tema de mestrado de uma das minhas melhores amigas); a discussão sobre o meio ambiente em Final Fantasy VII; e assim podemos continuar por uma infinidade de possibilidades.

Print do gameplay da IGN de Assassin's Creed Origins no Discovery Tour. O personagem está na entrada de uma das pirâmides de Gizé.

Minha experiência pessoal

Eu conheci e me interessei por Resident Evil vendo meus primos jogando. Levei alguns anos para jogar pela primeira vez RE3, depois RE2 e mais ainda RE1, que era mais difícil para um pessoa como eu que sempre jogou videogame muito mal. Na mesma época, joguei RE Code Veronica – sem nunca terminar sozinha –  e um pouco depois Resident Evil 4, que terminei várias vezes. O último Resident Evil (pela cronologia dos lançamentos) que eu joguei pra valer foi Resident Evil: The Darkside Chronicles.

Depois disso, joguei pouquíssimos dos jogos subsequentes – o REmake eu joguei uma vez só; eu não me lembro se cheguei a pegar no controle para jogar RE5 e RE6 eu comprei na semana de lançamento, mas detestei a jogabilidade. E desde então não joguei quase nada – de vez em quando jogo um pouco aqui ali, mas há muitos anos que jogar videogame deixou de ser uma atividade frequente na minha vida por uma diversidade de fatores. E, quando jogo, acabo preferindo jogos mais fáceis e em estilos mais antigos, como Super Mario World ou mesmo Resident Evil 2 no modo rookie. Nem por isso deixei de amar Resident Evil e tudo o que vem com sua história – seus personagens, suas conspirações, suas artes, as animações, os livros.

Inventário de Resident Evil 2 no modo rookie, mostrando a metralhadora com munição infinita que começa conosco no game nesse modo.

É por isso que acabo falando mais de história e narrativa em meus textos; e é por isso que escrevo em vez de fazer lives. Vários leitores do blog já me convidaram para jogar com eles, mas eu fico até sem graça de recusar, pois sempre fico me sentindo uma traidora do movimento, uma poser, como costumávamos falar até uns anos atrás.

Mas a verdade é que eu amo Resident Evil e amo muitos jogos que acompanho pelo YouTube, pela Twitch, pelas páginas da Wiki, vendo meus amigos ou primos jogarem e de diversos outros meios que não são jogar. Isso não vai mudar.

Então…pode gostar de games sem jogar, né?

Gostar de um jogo de videogame é uma experiência além do ato de jogar. Games são também histórias, são projetos de arte, e isso tudo pode ser apreciado mesmo que a pessoa não consiga, não tenha acesso ou simplesmente não goste de jogar. Não à toa os canais de streaming são o maior sucesso na internet hoje. Cada um gosta à sua maneira. O que importa é que todos possam se divertir e compartilhar esse hobby respeitando a experiência de cada um.

Qual é o problema de a Capcom usar a Wikipédia para lembrar do lore de Resident Evil?

Imagine que você é designer e seu cliente desiste de pagar pelo seu serviço porque tem um sobrinho de 13 anos que gosta de mexer no Photoshop. Ou que uma pessoa decide construir um prédio sem ter a supervisão de engenheiros. O trabalho pode até sair, mas a chance de ficar uma bela porcaria é bem grande e ainda pode gerar uma diversidade de riscos, tudo isso porque o contratante não quis pagar um profissional para fazer o serviço bem feito.

Pois é isso que a Capcom tem feito com Resident Evil.

Recentemente, o VSBLACK lá no Twitter chamou a atenção para uma live do ano passado da Sasha Zotova (a modelo de rosto de Jill em RE3 Remake) conversando com o diretor cinemático de RE3 Remake Steve Kniebihly. Ele comenta, dando risadinhas como se fosse a coisa mais normal do universo, que na Capcom eles recorrem à Wikipédia para se lembrarem do lore de Resident Evil, que é muito grande e complexo. Ele provavelmente estava falando da Wiki de Resident Evil (exclusiva da série e voltada para o fandom) e não da Wikipédia geral, mas ainda assim isso gerou uma revolta geral entre os fãs e com razão.

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Nemesis-T Type, Um Exterminador do Futuro

Resident Evil foi influenciado de forma tremenda por Exterminador do Futuro. Muitas dessas influências são bastante sutis ou ocultas, como em um personagem tipo ciborgue que acabou não sendo levado para a história final de Resident Evil 1 ou um look estilo Sarah Connor nas roupas extras da Jill em Resident Evil Remake. Mas, de todas elas, uma certamente se destaca e é a mais escancarada: o Nemesis.

A missão do Nemesis é essencialmente a mesma dos Terminators. Ele é um exterminador por excelência, nos moldes do T-800 de Arnold Schwarzenegger. Curiosamente, no entanto, ele foi baseado no T-1000 de Judgement Day, o que pode soar bastante estranho, já que o modus operandi do Nemesis é bem mais parecido com o do T-800: armamento pesado e força bruta.

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