Los Illuminados, a história de uma religião

Resident Evil 4 Remake veio, para muitas pessoas, substituir o jogo original. Com um gameplay muito bem adaptado e uma história aprofundada e aperfeiçoada, a nova versão nos trouxe muitas possibilidades de discussão e reinterpretação da história de Resident Evil.

Um dos aprofundamentos foi na história do culto Los Illuminados, que desde o jogo clássico já era bastante interessante. Agora, conhecemos o nome de seu fundador, seus membros através das gerações, seu exílio, seu espaço sagrado na Ilha e a extensão de sua obra maligna. Essas informações nos permitem construir um quadro mais claro de sua trajetória e também situá-los em um contexto mais amplo de história.

Por isso, hoje trago para vocês um pouco da história de Los Illuminados, com base na história da ficção e na história da vida real.

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Os sentimentos do Arklay’s Library sobre Resident Evil 4 Remake

Resident Evil 4 Remake foi lançado há um mês e conquistou o coração dos fãs. Equilibrado nos cortes e mudanças, o jogo foi muito bem recebido como remake, para muitos superando e até substituindo o original de 2005.

Eu não joguei RE4R e não jogarei tão cedo, então tenho acompanhado sua exploração e seus segredos pelos gameplays alheios. Isso já me deu um deslumbre da grandiosidade deste game e, como fã, tenho minhas impressões pessoais sobre o jogo. É isso que vim falar hoje, e com spoilers!

Leon e Ashley

O Leon do RE4 original era um verdadeiro super-herói de blockbuster americano. Era tiro, porrada e bomba misturados com piadinha ruim, o que parecia estranho para um personagem que tinha vivido um trauma da magnitude de Raccoon City. Em suas aparições seguintes, Leon continuava fazendo piadinhas para lidar com as situações difíceis, mas sua personalidade era bem mais triste e solitária. O Leon de agora é uma continuação direta do Leon de Raccoon – sem perder o ideal de policial novato que quer proteger as pessoas.

Algo que também está diferente é a relação de Leon com Ashley, que construíram uma grande parceria ao longo do game. A Moni (não me lembro se em vídeo de análise ou de gameplay no Resident Evil Database) chamou muito a atenção sobre como agora o agente não zomba mais dos medos e inseguranças da moça, o que também é muito mais coerente com o personagem, pois Leon é muito protetor e ele mesmo passou pelos horrores de Raccoon quando tinha mais ou menos a idade da filha do presidente. Ele a incentiva e mostra que ela é capaz, e com isso ela ganha confiança. A Ashley original não era totalmente incompetente como muitos dizem; afinal, ela dirige uma retroescavadeira e torra ganados com lampiões, mas a nova está muito mais bem trabalhada nesse sentido.

Luis

A meu ver, o novo Luis complementa muito bem o original. Enquanto senti que alguns personagens eram outros em relação aos de 2005 (e falarei disso mais adiante), Luis parecia exatamente o mesmo só que mais aprofundado (e menos machista), assim como Bitores, que também gostei bastante. Adorei o amor dele por Dom Quixote e, embora eu tenha ficado um pouco com um pé atrás por ele agora ser um ex-pesquisador da Umbrella, acho que essa é uma adição com um potencial interessante.

Também gostei muito de ver mais dele in gaming, tanto nas partes de co-op quanto ligando no rádio.

Salazar

Ramón Salazar apareceu totalmente repaginado em RE4R. Diversos aspectos de sua história e sua relação com os verdugos foram acrescentados, enriquecendo o lore do Castelo. Devo dizer, no entanto, que a participação dele no jogo não me agradou muito. No original, Salazar se fazia muito presente o tempo todo, fosse pessoalmente ou por meio das transmissões de rádio que fazia para azucrinar o Leon. Com isso, ele demonstrava total ciência de tudo o que o agente estava fazendo no castelo e interagia muito com ele. E foi justamente disso que eu senti falta no Remake.

Ainda gosto muito mais da transformação e da luta original. Para mim, aquela plaga enorme à qual Salazar se fundia havia sido um presente de Saddler para demonstrar sua confiança no castelão e fazê-lo sentir-se importante. Se o que reclamavam era que a luta era sem graça e pouco desafiadora, essa me pareceu mais ainda – só ficar atirando tentando acertar aquela bola de carne voadora e tagarela. O novo Salazar agora parece muito mais fruto de um complexo de inferioridade tremendo do que o aristocrata confiante do passado, e isso fez com que suas falas soassem todas muito clichês e forçadas no Remake.

Krauser

Em RE4R, Jack Krauser é o mesmo e não é ao mesmo tempo. Ele continua obcecado com o poder provido pelas Plagas, tem inveja do Leon e ressentimento do governo estadunidense. O que mudou foi seu jeito de agir e parte de suas motivações. Agora ele aparece enlouquecido e estridente em vez de sombrio e calculista, e essa nova apresentação dele não me agradou nem um pouco. Para quem se lembra da visão dele dos acontecimentos da Operação Javier de Darkside Chronicles, Krauser era uma pessoa de moral ambígua desde o início – e na nova versão da Operação, ele parece ter é surtado com o que viu e por ter perdido sua equipe na missão, outra coisa que detestei, sinceramente. Perder a equipe pode ser algo comum em um mundo cheio de armas biológicas, mas já é um plot importante de Chris, que é um personagem bem mais central na franquia. Me pareceu preguiçoso por parte da Capcom e também uma inclusão desnecessária, já que o personagem tinha uma história interessante já pronta.

Los Illuminados

Em RE4 (2005), o culto religioso estava totalmente enraizado na vila e no castelo. Mas, quando chegávamos à ilha, parecia que tudo aquilo que ficava para trás. Tudo dava a entender que Osmound Saddler estava usando a religião como ferramenta para atingir seus planos de destronar os Estados Unidos e controlar o mundo com a Plaga. Já no Remake, a seita ganhou um papel bem mais central nos objetivos políticos de seu líder, que até a última batalha fica chamando Leon de herege e renegado. A Ilha tem até mesmo alguns dos principais santuários de Los Illuminados, reduzindo sua aparente desconexão da vila e do castelo. É explicado que o aparato paramilitar dali serve para resistir a invasores, mas que tudo aquilo é temporário até que a plaga se espalhe para o restante do mundo, que não oferecerá mais resistência ao líder do culto. Eu pessoalmente achei essa mudança bem legal e acho que ela enriquece muito o plano de Saddler.

E afinal, é melhor que Resident Evil 4 original?

Portanto, Resident Evil 4 Remake atualizou um jogo que já era muito bom para a nova geração com maestria. Ele não apaga o original, mas também o supera em muitos pontos, mostrando que é possível sim fazer Remakes bem-feitos e com carinho (e quem dera se tivessem tido esse mesmo amor com Resident Evil 3).

Em um primeiro momento, pensei que continuava gostando mais do Resident Evil 4 original. Não só por conta de coisas que eu não gostei no Remake, como as abordagens de Salazar e Krauser, mas também pelo carinho imenso que tenho por diversas partes do primeiro jogo. No entanto, depois de ver o pessoal falando por aí, pensei: não preciso escolher um, não é mesmo? O Remake de fato foi superior em diversos aspectos de jogabilidade, acrescentou muito ao lore, amadureceu muito vários personagens e otimizou partes do jogo. Mas o RE4 original ainda é um jogo carismático, com seu valor de lore, com partes muito divertidas, com cenas marcantes e uma trilha sonora maravilhosa (gosto mais dela que da nova, sinto muito).

Agora é aguardar o Separate Ways, porque vem mais por aí!