Resident Evil 4 Remake veio, para muitas pessoas, substituir o jogo original. Com um gameplay muito bem adaptado e uma história aprofundada e aperfeiçoada, a nova versão nos trouxe muitas possibilidades de discussão e reinterpretação da história de Resident Evil.
Um dos aprofundamentos foi na história do culto Los Illuminados, que desde o jogo clássico já era bastante interessante. Agora, conhecemos o nome de seu fundador, seus membros através das gerações, seu exílio, seu espaço sagrado na Ilha e a extensão de sua obra maligna. Essas informações nos permitem construir um quadro mais claro de sua trajetória e também situá-los em um contexto mais amplo de história.
Por isso, hoje trago para vocês um pouco da história de Los Illuminados, com base na história da ficção e na história da vida real.
Este texto contém spoilers de Resident Evil Requiem.
Quando uma pessoa morre, suas lembranças, seu conhecimento, suas memórias, tudo se perde para sempre. E isso é verdade tanto para pessoas comuns com vidas comuns quanto para grandes cientistas ou filósofos. Ozwell E. Spencer acreditava que isso era uma lástima e que a partida de grandes mentes era uma perda para a humanidade. Porém, mais do que isso, ele mesmo se considerava uma dessas mentes, o que o levou a buscar uma maneira de contornar a morte e o desaparecimento de sua memória.
De todas as formas de memória que Resident Evil Requiem aborda, a memória “física” extrapolou as minhas expectativas, já que eu não imaginava sequer que Spencer teria um papel tão central na trama e muito menos que veríamos uma outra frente da pesquisa que ele confiou a Alex Wesker.
Mas há algo de mais profundo nessa preservação de memória. Spencer sabia que poderia não alcançar seus objetivos de vida eterna; por isso, ele garantiu que sua memória perante o mundo — seu legado — permanecesse viva, manipulando tudo e todos até o fim de sua vida.
O texto de hoje é sobre tudo isso e mais um pouco.
O chefe de polícia de Raccoon City, Brian Irons, era conhecido por seu gosto exótico pela taxidermia e por obras de arte famosas e caras. E, se já era visível no Resident Evil 2 original, Resident Evil 2 Remake elevou isso a outro nível, mostrando a coleção do delegado com riqueza de detalhes.
Várias dessas obras chamaram minha atenção, pois são reproduções de obras e artefatos reais. É muito provável que, no universo de Resident Evil, vários tenham sido adquiridos ilegalmente, já que há artefatos cuja venda é proibida, principalmente os mais antigos. Assim, decidi trazer para vocês um pouco sobre o peculiar escritório de Brian Irons.
Considerações iniciais
A coleção do chefe de polícia de Raccoon City era imensa. Ela incluía desde objetos de civilizações antigas até quadros caros. Outros fãs já pesquisaram sobre os quadros e as miniaturas de Leonardo da Vinci da coleção; portanto, focarei nos objetos restantes. Alguns são mais conhecidos, mas outros não, e por isso quero trazer para vocês o conhecimento das peças menos famosas.
Uma primeira observação interessante é que a maioria dos artefatos da sala existem na vida real e boa parte deles se encontra no acervo do Museu Metropolitano de Nova York, que mencionarei muitas vezes e, por isso, chamarei pela abreviação MET. Claramente foi no site do MET que a Capcom buscou boa parte da base para os assets, uma vez que o acervo é de fácil acesso e suas fotos são majoritariamente de domínio público.
Quero deixar meu agradecimento ao meu amigo Fabio Hirata por ter gentilmente cedido alguns prints de gameplay dele para que eu pudesse ilustrar o texto. Também usei alguns prints de um vídeo do canal Alertemos Conspirador.
Será um texto longo, então peguem um café e uma pipoca para acompanhar a leitura!
Sumário
Os artefatos descritos estão organizados pela ordem em que aparecem. Para facilitar a movimentação pelo texto, deixarei um sumário clicável com as seções. Porém, vale a pena ver todas, pois há objetos muito interessantes e eu levei meses para fazer a pesquisa!
Em uma das primeiras prateleiras que vemos logo que entramos na sala do Chefe Irons, há uma porção de máscaras rituais. Fiz uma pesquisa bem grande e infelizmente nenhuma delas é uma máscara típica de uma cultura real. Provavelmente, os designers reuniram alguns elementos de máscaras africanas reais para criar a máscara do meio, que tem características comuns em algumas regiões do continente, como padrões geométricos e olhos fechados.
O provável motivo para isso é que a maioria das máscaras mais bonitas do MET não estão em domínio público. Suas fotos estão no site do museu, mas não podem ser usadas sem autorização, e a Capcom provavelmente não estava disposta a pagar pelos direitos de uso. De qualquer forma, vou deixar aqui o link do acervo, caso você queira conferir e comparar as máscaras. Algumas interessantes são dos Senofu, dos Lega e dos Baule.
Junto às máscaras, há uma porção de vasos de metal. Eles também não levam a nenhuma peça real específica, mas parecem remeter às ânforas, crateras e lécitos gregos e romanos. Na estante ao lado, também há vasos do tipo, sendo um deles (o maior, à esquerda) uma clara referência a uma cratera romana.
Recipientes diversos de origem ou inspiração grega e romana. O objeto pendurado, que parece ser uma escultura de madeira com várias pessoas, não consegui encontrar em outro lugar.
Pratos de diversas épocas
Na segunda estante, há dois nichos de pratos decorativos. Todos eles foram encontrados no acervo do MET.
O primeiro prato da estante é datado da virada do século XV para o XVI. Ele foi feito em Sevilha, na Espanha, utilizando a técnica cuerda seca, que é a aplicação de esmaltes coloridos à cerâmica, que provavelmente é a técnica usada na maioria dos pratos que veremos a seguir. Ele mostra um pássaro aquático que pode ser um tarro canelo, que é encontrado no sul da Espanha e tem essa coloração alaranjada e bico fino.
Print de: canal Alertemos Conspirador, Original: MET.
O segundo prato também vem do que hoje é a Espanha, da cidade de Málaga, do reino de Granada, e data da virada do século XIII para o XIV. A cerâmica de Málaga era bastante prestigiada na época. O prato é originalmente uma tigela e mostra um cavaleiro atacando uma serpente com uma lança, o que possivelmente remete a São Jorge derrotando o dragão.
Print de: canal Alertemos Conspirador. Original: MET.
O terceiro prato é uma típica arte otomana, originária de Iznik, na Turquia, datada do século XVI. A região é conhecida por sua cerâmica e os motivos de pássaros com flores em tons de azul, roxo e verde são bem comuns.
Print de: canal Alertemos Conspirador. Original: MET.
O primeiro prato da segunda estante também é de Iznik e data do século XVI.
Print de: canal Alertemos Conspirador. Original: MET.
Mais um prato de Iznik. Pratos pintados com barcos parecem ter sido muito apreciados ao longo de várias épocas e lugares, uma vez que há peças de várias origens e épocas na coleção do MET, onde há dois exemplares dele. Os dois são datados do século XVII, mas provavelmente são de décadas diferentes.
O último prato me deu um trabalho imenso para encontrar, e originalmente ele é uma tigela. Nele, dez pessoas assistem a uma mulher tocando alaúde, provavelmente em uma festividade. Ele é datado entre os séculos XII e XIII e é atribuído ao Irã/Pérsia. Se prestarmos atenção, veremos que as pessoas retratadas, apesar das vestes tipicamente persas, têm feições asiáticas. Isso é bem comum na arte medieval persa e também de outras regiões do Oriente Médio, e em parte se deve a trocas culturais com a China. Durante a Idade Média, o mundo muçulmano se estendia da Península Ibérica (Al-Andalus) até a Índia e a China, e as pessoas viajavam muito por esse território, gerando um intercâmbio cultural intenso.
Print de: canal Alertemos Conspirador. Original: MET.
Egito Antigo
A maioria das peças egípcias antigas de Irons estão no segundo corredor de sua coleção. Ao fazermos a curva, o primeiro que se destaca é um grande vaso posicionado ao lado de um Dodô empalhado.
Essa peça é muito bonita e foi inspirada nos vasos encontrados na tumba de Sennedjem, um artesão que viveu e trabalhou durante os reinados dos faraós Seti I e Ramsés II. Alguns deles estão no MET e outros não. Seu tamanho está exagerado, já que os vasos originais tinham cerca de 30 cm de altura. Ele mostra alguns sinais de desgaste, o que indica que o jogo quis dizer que a peça é original.
Logo atrás do vaso de Sennedjem, podemos ver três vasos com cabeças de deuses egípcios na estante, que paravelmente são originais. Esses itens são chamados de vasos canópicos ou canopos e eram utilizados para guardar os órgãos internos do morto retirados durante o processo de mumificação.
Cada um tinha a cabeça de um dos filhos do deus Hórus e guardava um órgão específico: Imseti (homem), o fígado; Hapi (babuíno), os pulmões; Duamutef (chacal), o estômago; e Kebehsenuef (falcão), os intestinos. O coração não era retirado da múmia, pois os antigos egípcios atribuíam ao coração não só o sentimento quanto também o pensamento, fazendo o papel do cérebro (que eles tiravam pelo nariz do morto). Os vasos canopos tinham como função a proteção dos órgãos, considerados essenciais para a ressurreição do defunto.
1: Print de Fabio Hirata (ampliado). 2: Wikipedia. 3: MET.
Para não perder o fio da meada do Egito, vou usar um cheat e pular para a última prateleira. Nela, encontramos dois artefatos egípcios bastante conhecidos do público em geral e que Brian Irons com certeza não ia querer deixar de lado. Ambos são, com certeza, réplicas que o delegado encomendou, uma vez que, já que elas são tão famosas, seria impossível para ele contrabandeá-las.
A primeira é do busto da Rainha Nefertiti, um dos itens mais importantes da Arqueologia do Antigo Egito e também um dos que o Egito mais luta para retornar a seu país (atualmente ele está no Neues Museum, em Berlim, na Alemanha). Nefertiti era a principal esposa do Faraó Akhenaton da 19ª Dinastia, aquele que centralizou o culto no deus solar Aton. Seu busto foi encontrado por escavadores egípcios em 1919, porém em uma expedição alemã, que reivindicou o objeto para si.
Print de: Fabio Hirata (ampliado). Original: Wikipedia.
A outra réplica é da máscara mortuária de Tutankhamon, o Rei Menino. A tumba do jovem faraó, morto com 19 anos, foi encontrada em 1922 pela equipe do egiptólogo inglês Howard Carter e se tornou uma das descobertas arqueológicas mais famosas do Antigo Egito.
Print de: Fabio Hirata (ampliado). Original: Wikipedia.
O Rei Tut (apelido carinhoso) é filho do homem enterrado na tumba KV55, que provavelmente é Akhenaton, mas não de Nefertiti. Seu reinado foi breve e virou até tema de uma série estrelada por ninguém menos que Avan Jogia – sim, o Leon de Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City – como Tutankhamon.
Hoje, a máscara de Tutankhamon está no Grande Museu do Cairo, aquele próximo às pirâmides de Gizé que até hoje foi apenas parcialmente inaugurado. Sua múmia é a única de um faraó que permanece em sua tumba, à qual foi atribuída uma maldição que era nada menos que uma fake news inventada por Howard Carter para impedir que pessoas aleatórias ficassem passeando por ali e depredando o local.
A última peça da prateleira é um vaso que num primeiro momento pensamos ser grego, já que ele aparece em um dos formatos mais conhecidos da cerâmica grega: uma ânfora de terracota, com fundo preto e figuras vermelhas.
Curiosamente, no entanto, a cena representada nele não é grega, e sim egípcia: trata-se de uma representação do deus Anúbis preparando um corpo, acompanhado das deusas Ísis e Nephtis. A figura é uma reprodução da pintura da tumba KV47 do Faraó Siptah (1197 – 1191 a.C).
Embora tenha havido convergência entre a cultura grega e egípcia durante o período Ptolomaico (de Cleópatra), esta peça não existe na vida real. Um fato interessante sobre a tumba KV47 é que ela foi registrada por um conhecido fotógrafo de expedições arqueológicas no vale dos reis chamado Harry Burton, quase um xará do nosso querido paizão Barry Burton.
México
Print: Fabio Hirata (ampliado).
Voltando um pouco, ao lado dos vasos canopos, encontramos algumas peças variadas. A maior parte delas tem origem mexica, que nós costumamos chamar de asteca. Todas elas existem na vida real (embora com dimensões um pouco diferentes) e estão no acervo do MET.
A primeira escultura à esquerda é uma representação de Macuilcoatl, uma das divindades astecas conhecidas como “cinco lordes das almas”, os Ahuiateteo. Essas divindades estavam ligadas aos prazeres excessivos com bebida, sexo e jogos de azar e às consequências negativas desses excessos. A posição em que o deus se encontra, sentado com as pernas contra o peito, é típica de figuras masculinas. Mais informações podem ser lidas aqui (em inglês).
Bem no meio, podemos ver uma figura feminina esculpida em pedra. Trata-se de uma representação de Chalchiuhtlicue, a deusa asteca da água, principalmente de rios, lagos e córregos. Se as figuras masculinas costumavam ser representadas sentadas, as femininas apareciam de joelhos. Ela está representada em trajes nobres, demonstrando sua importância. Chalchiuhtlicue é casada com Tlaloc, o deus das chuvas, e juntos eles governam o clima.
Esta outra escultura de pedra pode ser vista ao fundo da estante, entre Macuilcoatl e Chalchiuhtlicue, e mostra uma mulher asteca de joelhos. Ela tem um grande enfeite na cabeça. Ela data de 1325–1521 d.C., e não há mais informações sobre ela.
Aos fundos, no canto direitos, vemos mais uma figura masculina representada em pedra. A única informação disponível é que a escultura data do século 15 ou do início do 16. A versão de RE2R também é bem menor que a original, que tem cerca de um metro de altura.
Esta pequena estátua de cerâmica representa uma figura antropomórfica com corpo humano e cabeça de pássaro em uma postura imponente. Por incrível que pareça, ela é um apito (de 51 cm de altura!), e provavelmente tinha uma função cerimonial.
Esta peça data dos séculos VIII e IX e tem origem no México, mas não é mexica/asteca. Ela vem da região de Veracruz, ao norte do país, que tinha semelhanças culturais com seus vizinhos mexicas e maias, mas era uma cultura à parte que já não existia mais na região quando da chegada dos europeus.
Já este passarinho barbudo e mal-humorado que está bem ao centro da estante, assim como a peça descrita anteriormente, é um apito, mas de duas câmaras sonoras. Este artefato é maia e é datado entre os séculos VII e IX.
Na mesma estante das peças mesoamericanas, estão duas figuras que destoam do resto: uma estátua verde de um homem caminhando e a de um boi antropomorfo segurando um vaso. Ambas são muito antigas e foram feitas por uma civilização que existiu no sudoeste do Irã entre 3300 e 2800 a.C, que precedeu os elamitas. Ela ficava muito próxima da Suméria, na Mesopotâmia.
O boi original é bem mais elaborado: é feito de prata e veste uma túnica adornada, além de ter cerca de metade do tamanho da que vemos na estante de Irons. Segundo o MET, “representações de animais em posturas humanas eram comuns na arte protoelamita, possivelmente como símbolos de forças naturais, mas provavelmente também como protagonistas de mitos ou fábulas”.
Já a estátua verde à esquerda, que se parece estranhamente com um duende do Polo Norte por seu chapéu e botas pontudas, é um herói mítico ou demônio. Seu adorno de cabeça são chifres. A estátua é de cobre, e sua cor esverdeada se dá pela oxidação do metal ao longo do tempo.
Por fim, há quatro vasos muito bonitos na estante seguinte.
O vaso do meio foi feito em Florença, na Itália, e data do início do século XVI. Florença é a cidade referência do Renascentismo, e esta peça, embora ainda não carregue toda a sofisticação da arte renascentista mais conhecida, já mostra uma transição entre o estilo medieval e o estilo moderno.
Já esses belos vasos longos são na verdade jarros para fins farmacêuticos. Todos têm originalmente cerca de 30 cm de altura, sendo os de RE2R um pouco maiores, e datam do século XV. Eles foram feitos no que hoje é a Espanha, mas têm uma grande influência da arte árabe-muçulmana, dado entre 710 e 1492 os muçulmanos de origem árabe e amazigh (conhecidos vulgarmente como berberes) dominaram politicamente a Península Ibérica.
Fontes das imagens: Print do canal Alertemos Conspirador, Vaso 1, Vaso 2, Vaso 3.
Estes foram os últimos itens da nossa lista. Agora, cabe refletir um pouco sobre eles estarem na coleção do delegado de Raccoon City.
Como Irons adquiriu essas peças?
Sabemos que Brian Irons era um homem sem escrúpulos. Não há dúvidas de que várias das peças que ele possuía em seu escritório (e que foram pelos ares com Raccoon City, por sinal) foram adquiridas ilegalmente. E isso é mais comum do que se pensa.
Há um difícil e intenso trabalho de rastreio e recuperação de objetos históricos contrabandeados e vendidos no mercado ilegal. Isso acontece desde que as escavações arqueológicas começaram no Egito durante a expedição de Napoleão iniciada em 1798. Isso se expandiu para outros lugares do globo que foram sendo sugados pelo domínio colonial europeu.
As escavações, no início, não tinham fins somente científicos, mas também comerciais. Muitos dos artefatos eram saqueados por “exploradores” e comprados por colecionadores ou museus; nisso, muitos objetos foram tirados de contexto, de modo que sequer podemos estudá-los com propriedade, já que não sabemos de onde eles vieram. Isso sem contar o que foi roubado, contrabandeado ou destruído, sendo perdido para sempre.
A própria arqueologia compactuou com isso por muito tempo, não respeitando objetos, locais e muito menos os povos de cuja cultura esses objetos vieram. Os europeus se apropriaram de artefatos como esses e de vestígios arqueológicos em suas pesquisas na África, na Ásia e até aqui nas Américas, levando-os para museus como o Museu Britânico, o Louvre, o Neues etc. Quem assistiu Pantera Negra se lembra muito bem da cena de Eric Killmonger jogando isso na cara da funcionária do museu e pegando a ferramenta de vibranium da exposição. Hoje em dia, diversos desses objetos são reivindicados por seus países de origem.
Isso só reforça que alguns dos itens da coleção de Brian Irons foram adquiridos de forma ilegal e, por que não, imoral. Outros podem, claro, ser réplicas encomendadas. Como nem sempre é possível ter peças originais, alguns museus encomendam réplicas ou peças exclusivas que são usadas para fins educacionais em suas exposições. Boa parte do Museu Egípcio Rosacruz em Curitiba é composta de réplicas que cumprem muito bem seu papel. O próprio MET, que tanto mencionei neste texto, tem uma vasta coleção de itens produzidos por seus povos de origem especificamente para o museu.
E, é claro, não podemos esquecer que o prédio da delegacia de Raccoon City foi, no passado, um museu, do qual Irons surrupiou várias coisas. Desde o Resident Evil 2 original, existe a sala de arte, onde Irons deixava parte de sua coleção e possivelmente parte do que restou do acervo do museu.
Mas me conta, o que achou dos artefatos da coleção do famigerado chefe de polícia de Raccoon City? Você esperava que tantos deles fossem reais e tivessem tanta história para contar?
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Referências:
Referências consultadas para além das páginas de cada artefato nos museus.
AGUILAR-MORENO, Manuel. Handbook to Life in the Aztec World. New York: Oxford University Press, 2007.
SALES, José das Candeias. A arqueologia egípcia no século XIX: da “caça ao tesouro” à salvaguarda da herança faraónica. Cadmo: Revista do Instituto Oriental da Universidade de Lisboa. Actas do Colóquio Internacional: Orientalismo ontem e hoje, Lisboa, p.85-112, 2002.
WATSON, Oliver. Chinese-Iranian Relations xi. Mutual Influence of Chinese and Persian Ceramics. Encyclopædia Iranica, online edition, 2015. Disponível em: http://www.iranicaonline.org/articles/chinese-iranian-xi Acesso em 18 de agosto de 2025.
Este é o texto de número 2 da série Resident Evil e Frankenstein do blog e contém spoilers de todos os Resident Evils mencionados e da obra Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley.
No primeiro texto desta série, que eu recomendo que você leia antes deste, expliquei como Resident Evil tem muito de Frankenstein com suas criaturas e experimentos violadores das regras da natureza. Cientistas obcecados por suas criações destrutivas e pela vitória sobre a morte são a pedra fundamental das desgraças de ambas as narrativas, de modo que podemos pensar que Resident Evil tem, afinal, vários Doutores Frankensteins. Hoje é dia de falar um pouco de cada um deles.
Hoje ia sair um texto sobre outro assunto no blog, mas com a invasão do presidente russo Vladimir Putin à Ucrânia, achei melhor falar sobre outro assunto que, por incrível que pareça, ainda tem a ver com Resident Evil. Este é um texto escrito rapidamente e improvisado e pode ter erros de revisão.
Vocês se lembram, em Resident Evil: Condenação, qual era o contexto da estada do Leon na República Eslava do Leste (que vou chamar de REL), país fictício presidido por Svetlana Belikova? Bom, o nome do país diz muita coisa: é claramente um país do leste europeu, cujos nomes dos personagens e arquitetura da cidade são a clara sensação de que estamos em um país muito semelhante à Ucrânia ou um pedacinho da Rússia que se tornou um país à parte.
O que vemos no filme é uma guerra no Leste Europeu, próxima da Rússia e com participação tanto russa quanto norte-americana. Não é exatamente igual a o que estamos vendo agora, pois ali há uma guerra civil com intervenção de outros países, enquanto na Ucrânia real mesmo os conflitos internos já estavam relacionados com interesses externos, mas pode nos ajudar a pensar. Meu ponto não é fazer comparações forçadas ou dizer que cada grupo do filme representa um lado do conflito real (longe disso), mas apontar como os conflitos de jogos de interesse são complexos e que temos que ir muito além de dividir isso entre “bonzinhos e malvados”.
Este é o texto de número 1 da série Resident Evil e Frankenstein do blog e contém spoilers de todo o lore de Resident Evil e da obra Frankenstein ou o Prometeu Moderno de Mary Shelley.
“Vida e morte pareciam para mim fronteiras ideais que deveria, primeiramente, transpor, despejando uma torrente de luz em nosso mundo sombrio. Uma nova espécie aberçoar-me-ia como criador e origem; muitas personalidades felizes e excelentes deveriam a mim a própria existência”. P. 69
Ozwell E. Spencer queria criar uma nova “raça” de seres humanos, forçando a evolução da espécie por meio dos vírus. Esses seres, que a seu ver seriam superiores, seriam mais fortes e mais inteligentes – e deveriam vê-lo como seu líder, um deus da nova espécie. Não foi ele, no entanto, quem disse as palavras acima citadas. Foi ninguém menos que Victor Frankenstein, na brilhante obra que inaugurou o gênero da ficção científica, um dos quais Resident Evil faz parte.
Frankenstein ou o Prometeu Moderno, publicado pela escritora inglesa Mary Shelley pela primeira vez em 1818 e reeditado em 1831, influencia a ficção científica até hoje. E, ainda que indiretamente, Resident Evil não ficou de fora. A franquia tem uma quantidade imensa de cientistas ‘loucos’ com objetivos semelhantes aos de Victor – quase todos eles, diga-se de passagem.
E como eu amo Frankenstein e amo Resident Evil, este texto que ia ser único vai ser o primeiro da série Resident Evil e Frankenstein que vai discutir variados aspectos de como podemos relacionar as duas histórias.
De todos os grandes desastres que permeiam a linha do tempo de Resident Evil, o mais marcante no coração dos fãs é com certeza o incidente de Raccoon City. Começando com os primeiros assassinatos nas Montanhas Arklay e culminando em uma epidemia zumbi que levou à decisão do governo de esterilizar a cidade, essa história definiu Resident Evil como franquia e é até hoje muito referenciada (e reverenciada) pelos fãs.
Graças a esse apelo, a Capcom (e a Constantin…) faz questão de aludir à cidade o tempo todo: “Raccoon City tudo de novo”, “uma nova Raccoon City”, “uma grande reunião de família de Raccoon” são frases que ouvimos em diversos jogos e filmes posteriores, isso sem contar os retornos da cidade em spin-offs (canônicos ou não) e nas reimaginações.
Mas não é somente para nós do mundo exterior que Raccoon City ficou marcada para sempre. Essas referências que a Capcom faz, além de serem fanservice, também mostram como dentro do universo de Resident Evil o desastre foi impactante na memória dos protagonistas e de diversos outros personagens com os quais eles se cruzaram.
Neste 28 de setembro, portanto, nada mais justo que dedicar um texto para esse acontecimento, não?
Este texto foi publicado originalmente no EvilHazard. Esta versão foi revisada em relação à original, mas seu conteúdo não foi alterado.
Logo após o lançamento de Resident Evil Village, surgiu uma polêmica no Twitter a respeito de uma placa de identificação militar (chamadas de dog tags em inglês) que Karl Heisenberg trazia pendurada no pescoço. Algumas pessoas apontaram as semelhanças (gritantes) com placas utilizadas por soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e isso levou à especulação de uma possível afiliação de Heisenberg com o nazismo. A Capcom eventualmente negou, e acabou ficando por isso mesmo.
No entanto, convenhamos que mesmo não sendo abertamente nazista, as criaturas que Heisenberg criava em sua fábrica passavam por processos não muito diferentes aos que os nazistas praticavam em seus campos de concentração, não é mesmo? É bem conhecido o nome de Josef Mengele, o mais famoso entre os médicos nazistas que realizavam experimentos horríveis com prisioneiros em Auschwitz e em outros campos. Jogar tinta nos olhos de pessoas de olhos escuros, jogá-las em tanques de água fria, infectá-las com micro-organismos e esterilização forçada com substâncias tóxicas são apenas alguns bárbaros exemplos.
E sabemos muito bem que Heisenberg está longe de ser o único. Muito pelo contrário: era característico da Umbrella realizar experimentos absurdos em seres humanos e o objetivo pelo qual a empresa foi fundada estava ligado à criação de seres humanos superiores, aspiração de Ozwell E. Spencer.
Eugenia
O desejo de Ozwell Spencer era a aceleração da evolução humana por meio dos vírus, a via que ele considerou mais adequada para alcançar seu objetivo. No entanto, ele não pensava em evolução humana em um sentido de melhorar toda a humanidade — para ele, os próprios vírus já fariam um trabalho de “seleção natural”, no qual os mais fracos pereceriam e os mais fortes sobreviveriam. Outro critério era a inteligência, algo que ele considerava nato, ignorando que a inteligência de qualquer um pode ser desenvolvida.
Essas são características tipicamente ligadas à eugenia, um movimento nascido no século 19 que tinha como objetivo melhorar a qualidade “genética” (o termo e o conceito não existiam na época) de uma população por meio da perpetuação de características consideradas melhores e da exclusão daquelas consideradas piores. Na prática, ela contribuiu para justificar “cientificamente” o racismo e a segregação social, pois considerava-se que pessoas não brancas eram inferiores e que a pobreza era resultado de características hereditárias imutáveis.
A eugenia justificou a barbárie perpetrada pelos europeus em suas colônias na África e na Ásia. São notórias as atrocidades perpetradas pela monarquia belga no Congo e pelo Estado alemão na Namíbia, e não é coincidência o modo como a Umbrella tratou o povo de Kijuju e os Ndipaya quando Spencer encontrou as flores que geravam o Vírus Progenitor.
Posteriormente, a eugenia também foi um forte pilar da ideologia nazista, justificando as atrocidades do holocausto.
Humanidade Decadente
Spencer acreditava que a humanidade estava se degenerando. Não somos apresentados a o que exatamente ele considerava decadente, apenas que em sua visão a forma atual da humanidade está condenada a se autodestruir.
Muitos de nós também pensamos que os seres humanos estão se autodestruindo, mas buscamos resolver isso por meio de políticas de proteção do meio ambiente e de uma educação para a emancipação, por exemplo. Spencer, por sua vez, decidiu seguir ideias mais parecidas com as do nazismo: promovendo aqueles que ele considerava superiores e que os “mais fortes” sobrevivessem. Albert Wesker pensava da mesma maneira e procedeu de maneira muito semelhante.
No novo mundo de Spencer, ele seria o comandante supremo da humanidade, o Deus, o Führer (Líder). Como pai dessa nova humanidade, ele se considerava digno de uma característica muito forte do fascismo (e consequentemente do nazismo), que é o culto ao líder.
Campos de concentração
A Ilha Rockfort, um dos cenários de Resident Evil: Code Veronica, é um complexo de treinamento dos grupos paramilitares da Umbrella e também um campo de concentração para os desafetos e traidores da empresa.
O uso do termo não é leviano; de fato, Rockfort foi baseada em um campo de concentração e há inúmeras referências a isso. O local não é simplesmente uma prisão; é um espaço para torturar e controlar inimigos com condições absolutamente insalubres e cruéis. Além das celas a céu aberto e espaços de execução e tortura que encontramos nos primeiros minutos de jogo, temos também aquela “casa” onde moravam os prisioneiros que se assemelha profundamente aos barracões dos campos de concentração nazistas.
Não podemos esquecer que os prisioneiros eram também cobaias dos experimentos. Na “enfermaria”, lemos a nota do anatomista que conta que aprecia ver outras pessoas agonizarem e morrerem, e que Alfred fornecia a ele todos os equipamentos para ele realizar experimentos. Também há um crematório, tal como nos campos nazistas. A ilha possuía ainda um laboratório e diversas BOWs que eram usadas no campo de treinamento, e é bastante claro que os prisioneiros eram envolvidos involuntariamente nisso.
Uma família de nazistas
Uma informação que muitas vezes pode surpreender os fãs de Resident Evil é que a família Ashford, em um conceito inicial, deveria ter origem alemã e ser vinculada ao nazismo. Eles se chamariam Krüger – Alexia seria Hilda, Alfred seria Hilbert e haveria um outro membro da família, o avô deles, que teria se tornado Edward Ashford, um médico nazista. Essas informações são obtidas por meio das artes conceituais de Code Veronica, que podem ser vistas aqui.
Alguns desses elementos se mantiveram no jogo, como a águia fazendo parte do brasão da família Ashford. Talvez, em outras circunstâncias, a ave poderia ser uma referência a qualquer outra coisa, até mesmo a símbolos alemães mais antigos, mas como sabemos dos conceitos iniciais nazistas da família, não há dúvidas de que o brasão é sim uma referência ao nazismo.
Embora esses conceitos tenham sido transformados no produto final, a crueldade e os métodos doentios dos Ashford permaneceram nos personagens.
Aristocracia
Mas não é porque os Ashford se tornaram uma aristocracia inglesa e não alemã que eles não poderiam ser simpatizantes do nazismo. Na verdade, as ideias de antissemitismo, xenofobia e racismo enfatizadas pelos nazistas eram bastante difundidas na Europa como um todo quando da ascensão do partido, e há inclusive a hipótese de que, mais do que um ódio pessoal de Hitler contra os judeus, foi esse clima de ódio já pré-existente que levou os nazistas a incorporarem o antissemitismo em sua ideologia para angariar o apoio das massas. É possível ouvir um pouco mais sobre isso neste episódio do podcast História FM.
O Rei Eduardo VIII da Inglaterra (tio da Rainha Elizabeth) e sua esposa americana Wallis Simpson chegaram a tirar fotos com Adolf Hitler e, embora não se tenha certeza se ele simpatizava de fato com as ideias, sua visita oficial na Alemanha nazista pareceu bastante amistosa. Também é de se mencionar que a irmã mais velha do recentemente falecido Rei Philip (marido da rainha Elizabeth II), a Princesa Cecilie da Grécia e da Dinamarca, era filiada ao partido Nazista.
A ideia de pureza de linhagem é algo bem forte na aristocracia europeia. Se até determinado momento os casamentos entre nobres eram uma questão de alianças políticas, a partir mais ou menos do século 18 começou-se a valorizar a pureza de sangue.
Não é à toa que Spencer, Ashford e Marcus pensavam de maneira semelhante: eles eram fruto desse ambiente de ideias de superioridade. O que eles fizeram foi nada mais que colocar esses pensamentos em prática.
Seres humanos superiores
Se já falamos dos Ashford, podemos agora falar de como o fundador de tudo isso, Ozwell Spencer, levou a cabo suas ideias. O Projeto W, das Crianças Wesker, é a execução plena de seu plano de eugenia.
Spencer selecionou crianças “de todas as nacionalidades” (será mesmo?) com inteligência acima da média. “Selecionar” não é um termo aleatório, pois o aristocrata pensava em termos de seleção natural e de sobrevivência do mais forte, bem ao estilo do pensamento eugenista do século 19.
O meio para alcançar a superioridade seria a compatibilidade com o vírus Progenitor, e a maioria das crianças morreu, sobrevivendo apenas Albert e Alex. Segundo o file Albert Wesker de Resident Evil 5, essa seleção se mostrou seletiva demais, e com isso podemos perceber o quanto esse tipo de pensamento é contrário aos mais fracos fisicamente – como se eles não merecessem dignidade tanto quanto os mais fortes. É ainda notável que Albert e Alex são loiros e caucasianos. Isso provavelmente é proposital para tornar mais clara essa referência da eugenia como fundamentadora das ideias de Spencer.
Não poderíamos deixar de mencionar, também, que a própria aparência de Albert Wesker em Resident Evil 5 pode ser uma alusão aos nazistas. A postura militar com um sobretudo preto tem lá suas semelhanças com um dos uniformes nazistas, e o discurso também é muito semelhante, já que Wesker deu continuidade às ideias de criar uma nova humanidade.
Conclusões
Até hoje pergunta-se muito: como os alemães aceitaram e apoiaram Hitler? Muito do poder dos nazistas veio da coação, mas não podemos ignorar que uma parcela muito significativa da sociedade europeia já carregava ideias das quais o fascismo e o nazismo eram fruto, de certa forma, e das quais essas duas ideologias souberam aproveitar-se para alcançar seus objetivos. Isso vai muito além da eugenia e do racismo, mas não cabe abordar aqui. Uma leitura muito recomendada para se aprofundar nisso é o livro Anatomia do Fascismo, do historiador americano Robert Paxton.
Resident Evil trouxe vilões que não se declaravam como nazistas, mas que tinham ideias claramente muito semelhantes. E, ainda, colocou essas ideias em pessoas originárias de países Aliados, inimigos do Eixo, ou seja, aristocratas ingleses e cientistas norte-americanos. Isso contribui para lembrarmos que as ideias que compõem o nazismo não vieram só da Alemanha e da Itália, mas que eram ideias que circulavam na Europa e também em outros lugares do mundo. E que, mesmo depois da Segunda Guerra Mundial, elas não deixaram de existir.
Como o próprio Spencer escreveu em sua carta a Mãe Miranda, após duas guerras mundiais, suas convicções não se abateram. Não seria de se duvidar que, muito pelo contrário, elas tivessem apenas se fortalecido com o exemplo nazista. Sendo uma pessoa de grande poder, ele conseguiu colocar suas ideias em prática, criando seu próprio projeto horrendo de mundo e deixando um legado de terror para a humanidade.
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Algumas referências que uso com frequência além das hiperlinkadas no texto:
MAZOWER, Mark. Continente Sombrio: A Europa no século XX . São Paulo: Companhia das Letras, 2001
ARENDT, Hannah. “O pensamento racial antes do racismo” e “Raça e burocracia” In Origens do Totalitarismo . São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
MAGALHÃES, Marion Brepohl de. “Homens e mulheres falando em genocídio: a experiência imperialista alemã (1884-1945)” In História: Questões e Debates. Curitiba: Editora UFPR, jan./jun. 2010, n. 52, p. 149-171.
Este texto contém spoilers de Resident Evil: No Escuro Absoluto.
Resident Evil: Infinite Darkness ou No Escuro Absoluto tem uma porção de referências históricas e paralelos políticos não exatamente sutis em seu enredo. Embora esses elementos tenham sido explorados com superficialidade pela execução final da obra, acredito que é bastante enriquecedor que nós os exploremos de modo a aprofundarmos o que a série em si não aprofundou.
Este é um texto com temas sensíveis e que possivelmente podem gerar polêmicas, mas aqui o debate deve ser feito com respeito tanto aos debatedores quanto aos grupos sendo discutidos. Se alguém vier de preconceito contra árabes, afegãos, chineses, muçulmanos ou de qualquer outro grupo cultural, terá seus comentários sumariamente apagados.
Lá pelas tantas da campanha do Leon em Resident Evil 6, Derek Simmons se justifica sobre sua motivação para assassinar o Presidente Adam Benford. Segundo ele, se a verdade sobre Raccoon City tivesse sido revelada, os Estados Unidos teriam perdido sua autoridade e a ordem política global teria colapsado. Essa ordem global é, para ele, a posição de liderança dos Estados Unidos diante do resto do mundo, algo que Resident Evil tirou diretamente da nossa realidade.
Vamos conversar, então, sobre a constituição dessa ordem global e como ela se relaciona com o resto da franquia?
O interesse de Simmons na manutenção da ordem global tem relação, naturalmente, com o poder que ele próprio possui nessa conjuntura. Ele grita: “Ele [Benford] estava levando o meu país e este mundo ao completo caos!”, numa referência aos EUA não somente como seu país de origem, mas também ao país que ele domina. Como Ada já havia falado nas catacumbas: “Estamos falando das pessoas que realmente governam este país, em um jogo muito perigoso”.