Como Resident Evil: Veronica vai tratar Alfred Ashford? (Teoria)

O tão esperado remake de Resident Evil: Code Veronica foi anunciado e há muitos elementos do jogo que estamos curiosos para ver. Há muitas teorias sobre como a história será adaptada, a gameplay refinada e os personagens aprofundados. E um personagem em especial recebe muita atenção nesse sentido: Alfred Ashford. Como Resident Evil: Veronica (RE:V) vai tratar o controverso vilão? Esse é o assunto deste texto.

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Opinião: Resident Evil Requiem tem o coração no lugar certo

Já há um mês que Resident Evil Requiem foi lançado, mas devo dizer que precisei digerir muito bem tudo o que recebemos com esse jogo antes de falar sobre ele por aqui. Houve muitas surpresas, para o bem e para o mal, mas acima de tudo houve muito Resident Evil em sua essência. Assim, finalmente, depois de analisá-lo com muita calma, trago minhas impressões sobre REquiem, com foco em narrativa e lore.

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Resident Evil Requiem será uma história sobre memória

Resident Evil Requiem nos levará de volta a Raccoon City, uma cidade onde nós, jogadores, criamos muitas lembranças, e onde vários personagens viveram imensos traumas impossíveis de esquecer. O jogo também levará Grace Ashcroft a um lugar e a um momento de seu passado que ela não gostaria de revisitar, mas cujas lembranças ela não pode apagar.

Essa composição narrativa me diz uma coisa: o principal tema de Resident Evil Requiem será, sem sombra de dúvidas, a memória.

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Por que Alyssa Ashcroft foi escolhida para aparecer em Resident Evil Requiem?

Uma das maiores surpresas do trailer de Resident Evil Requiem foi a escolha de trazer Alyssa Ashcroft, uma personagem de Resident Evil Outbreak, para a série principal. Embora seja sua filha Grace e não a própria Alyssa que nos foi apresentada como protagonista, a proposta animou os fãs do lore e levanta uma pergunta: por que Alyssa, e não outro personagem?

A vida dos personagens após Raccoon City

Considerando que RE Requiem tem a proposta de retornar a Raccoon City, o mais lógico é trazer personagens relacionados aos eventos ocorridos na cidade, em especial seus sobreviventes.

Porém, a Capcom tentou pensar além dos protagonistas principais, Chris, Jill, Leon, Claire e Rebecca. Estamos carecas de saber que eles dedicam suas vidas a combater o legado da Umbrella após terem sobrevivido ao incidente da mansão e a Raccoon City. E, desde RE7, eles vêm mudando sua função na série, deixando de ser protagonistas para agirem por trás das câmeras. Isso ficou evidente com Chris realizando sua investigação sobre o mofo e Mãe Miranda enquanto a família Winters assumia o papel central.

Cabe então lembrar que, assim como nossos amados veteranos, diversas outras pessoas estiveram em Raccoon City e sobreviveram ou poder ter sobrevivido. E nisso ganham destaque os personagens de Resident Evil: Outbreak, entre eles Alyssa Ashcroft.

Grace Ashcroft em Resident Evil Requiem. Ela é loira, usa cabelos curtos nos ombros e veste uma roupa formal com um crachá do FBI. Ela está de cabeça baixa e com uma expressão muito triste.

Grace muito triste ao ser lembrada do local do assassinato de sua mãe.

É claro que, caso tenham sobrevivido, nem todos os personagens do jogo teriam interesse em lutar contra o bioterrorismo. Por exemplo, Jim Chapman, o funcionário assustado do metrô de Raccoon, provavelmente tentou buscar a vida mais pacata possível. Mark WIikins, já em Raccoon um veterano do Vietnã, pelo que vimos em seu final bom em Outbreak File #2, parece também ter buscado uma vida de paz.

Já Yoko Suzuki, pelo que o final bom dá a entender, decide testemunhar contra a Umbrella. Se ela não foi presa por ter participado do trabalho ilegal da empresa, seria bem possível que ela estivesse usando seus conhecimentos científicos em pesquisas contra as armas biológicas, de forma semelhante ao trabalho de Rebecca Chambers.

É difícil ter certeza sobre os rumos da vida desses personagens, já que os finais de Outbreak File #2 indicam que, caso tenham sobrevivido, praticamente todos buscaram uma nova vida logo após Raccoon. Não sabemos, no entanto, se o avanço do bioterrorismo no mundo pode tê-los feito mudar de ideia.

Mas entre eles temos Alyssa Ashcroft, uma jornalista.

O jornalismo e a busca da verdade

Alyssa Ashcroft em Resident Evil Outbreak trocando uma ideia com Ben Bertolucci. Ambos são jornalistas. Ele está trancado em uma cela da delegacia, e ela está fora.

Alyssa encontrando Ben Bertolucci, também jornalista e seu possível rival, nas celas do R.P.D. no cenário Desperate Times.

De maneira geral, jornalistas têm uma personalidade curiosa, ávida por informações e por informar. A profissão é muito associada à busca da verdade e à responsabilidade social, e pode ser bastante perigosa dependendo das escolhas temáticas do jornalista. Alyssa é corajosa, focada e teimosa, e no final bom de Outbreak File #2 ela reflete que prefere viver uma vida com riscos e lutar pelo que acredita. Essas características são perfeitamente compatíveis com sua profissão.

Além disso, ela é uma jornalista investigativa, que é um ramo do jornalismo ligado a desvendar crimes, mistérios e atos ilícitos que estão ocultos do público. Um exemplo claro disso na franquia está no cenário Flashback de Resident Evil Outbreak File #2, do qual Alyssa é a protagonista. Nele, ela tenta se lembrar de seu amigo e colega de trabalho Kurt, que foi assassinado (na verdade devorado pela zumbi Dorothy Lester) enquanto investigava uma série de mortes misteriosas ocorridas em um hospital das montanhas Arklay. Ela ainda foi responsável por uma série de matérias sobre os acontecimentos estranhos em Raccoon City ligados à Umbrella.

Assim, como jornalista e como sobrevivente de Raccoon City, Alyssa certamente sentia um dever ético de mostrar ao mundo o que havia acontecido na cidade e como outros incidentes como aquele continuavam acontecendo. Tal como Chris ou Leon, ela tinha todos os motivos e habilidades próprias para continuar lutando pela memória de Raccoon e para evitar que o horror continuasse.

Alyssa Ashcroft em Resident Evil Outbreak. Ela é uma mulher jovem, branca de cabelos louros na altura dos ombros. Sua expressão na imagem é reflexiva.

Alyssa teve um papel importante no desmantelamento da Umbrella. Após fugir da cidade, ela escreveu um artigo intitulado “What is BOW? Blowing the Lid off this Horrifying Secret Project” (tradução livre: “O que é B.O.W.? Expondo esse horripilante projeto secreto”) para o jornal Daily Advisor, que foi um dos pontapés para o julgamento da empresa farmacêutica e a exposição do que houve em Raccoon City.

Tudo isso torna Alyssa Ashcroft uma personagem perfeita para ser colocada – ou referenciada – em um jogo da série principal. Ainda mais em um jogo que pretende ser um réquiem de Raccoon City.

Muitos personagens para escolher

Sabemos que Alyssa continuou na ativa com casos de possível bioterrorismo após o incidente em Raccoon City. Em Resident Evil 7, Ethan encontra uma reportagem sobre os desaparecimentos de Dulvey (ou seja, as pessoas sequestradas por Jack Baker e Eveline) escrita por ela na casa dos Baker. Ali, a preferência da Capcom por ela em relação a outros personagens já estava sendo delineada.

É claro que nada impede que os outros personagens de Outbreak apareçam em Resident Evil 9, tenham eles se juntado à luta contra o bioterrorismo ou não. Descobrir o que houve com eles, se sobreviveram ou não e o que fizeram com suas vidas, seria um presente para nós, fãs apaixonados por lore. 

Há ainda outros personagens importantes de Resident Evil que queremos ver em novos jogos. Esperamos ansiosamente para ver Alex Wesker, agora no corpo de Nathalia Korda, mais uma vez. Nathalia foi adotada por Barry, o que daria uma chance de ele aparecer. Também seria ótimo ver Morgan Lansdale, talvez comandando as intrigas contra a BSAA, e até mesmo um Clive O’Brien, que poderia estar envolvido na relação da organização com a Umbrella Azul. Aliás, está mais que na hora de explicar essa volta da Umbrella, né não?

E quem sabe Alyssa não estava investigando isso também? Tenho esperança de que sua presença em Resident Evil REquiem pode estar relacionada às lacunas que ficaram dos últimos jogos.

Nos resta aguardar.

Os sentimentos do Arklay’s Library sobre Resident Evil 4 Remake

Resident Evil 4 Remake foi lançado há um mês e conquistou o coração dos fãs. Equilibrado nos cortes e mudanças, o jogo foi muito bem recebido como remake, para muitos superando e até substituindo o original de 2005.

Eu não joguei RE4R e não jogarei tão cedo, então tenho acompanhado sua exploração e seus segredos pelos gameplays alheios. Isso já me deu um deslumbre da grandiosidade deste game e, como fã, tenho minhas impressões pessoais sobre o jogo. É isso que vim falar hoje, e com spoilers!

Leon e Ashley

O Leon do RE4 original era um verdadeiro super-herói de blockbuster americano. Era tiro, porrada e bomba misturados com piadinha ruim, o que parecia estranho para um personagem que tinha vivido um trauma da magnitude de Raccoon City. Em suas aparições seguintes, Leon continuava fazendo piadinhas para lidar com as situações difíceis, mas sua personalidade era bem mais triste e solitária. O Leon de agora é uma continuação direta do Leon de Raccoon – sem perder o ideal de policial novato que quer proteger as pessoas.

Algo que também está diferente é a relação de Leon com Ashley, que construíram uma grande parceria ao longo do game. A Moni (não me lembro se em vídeo de análise ou de gameplay no Resident Evil Database) chamou muito a atenção sobre como agora o agente não zomba mais dos medos e inseguranças da moça, o que também é muito mais coerente com o personagem, pois Leon é muito protetor e ele mesmo passou pelos horrores de Raccoon quando tinha mais ou menos a idade da filha do presidente. Ele a incentiva e mostra que ela é capaz, e com isso ela ganha confiança. A Ashley original não era totalmente incompetente como muitos dizem; afinal, ela dirige uma retroescavadeira e torra ganados com lampiões, mas a nova está muito mais bem trabalhada nesse sentido.

Luis

A meu ver, o novo Luis complementa muito bem o original. Enquanto senti que alguns personagens eram outros em relação aos de 2005 (e falarei disso mais adiante), Luis parecia exatamente o mesmo só que mais aprofundado (e menos machista), assim como Bitores, que também gostei bastante. Adorei o amor dele por Dom Quixote e, embora eu tenha ficado um pouco com um pé atrás por ele agora ser um ex-pesquisador da Umbrella, acho que essa é uma adição com um potencial interessante.

Também gostei muito de ver mais dele in gaming, tanto nas partes de co-op quanto ligando no rádio.

Salazar

Ramón Salazar apareceu totalmente repaginado em RE4R. Diversos aspectos de sua história e sua relação com os verdugos foram acrescentados, enriquecendo o lore do Castelo. Devo dizer, no entanto, que a participação dele no jogo não me agradou muito. No original, Salazar se fazia muito presente o tempo todo, fosse pessoalmente ou por meio das transmissões de rádio que fazia para azucrinar o Leon. Com isso, ele demonstrava total ciência de tudo o que o agente estava fazendo no castelo e interagia muito com ele. E foi justamente disso que eu senti falta no Remake.

Ainda gosto muito mais da transformação e da luta original. Para mim, aquela plaga enorme à qual Salazar se fundia havia sido um presente de Saddler para demonstrar sua confiança no castelão e fazê-lo sentir-se importante. Se o que reclamavam era que a luta era sem graça e pouco desafiadora, essa me pareceu mais ainda – só ficar atirando tentando acertar aquela bola de carne voadora e tagarela. O novo Salazar agora parece muito mais fruto de um complexo de inferioridade tremendo do que o aristocrata confiante do passado, e isso fez com que suas falas soassem todas muito clichês e forçadas no Remake.

Krauser

Em RE4R, Jack Krauser é o mesmo e não é ao mesmo tempo. Ele continua obcecado com o poder provido pelas Plagas, tem inveja do Leon e ressentimento do governo estadunidense. O que mudou foi seu jeito de agir e parte de suas motivações. Agora ele aparece enlouquecido e estridente em vez de sombrio e calculista, e essa nova apresentação dele não me agradou nem um pouco. Para quem se lembra da visão dele dos acontecimentos da Operação Javier de Darkside Chronicles, Krauser era uma pessoa de moral ambígua desde o início – e na nova versão da Operação, ele parece ter é surtado com o que viu e por ter perdido sua equipe na missão, outra coisa que detestei, sinceramente. Perder a equipe pode ser algo comum em um mundo cheio de armas biológicas, mas já é um plot importante de Chris, que é um personagem bem mais central na franquia. Me pareceu preguiçoso por parte da Capcom e também uma inclusão desnecessária, já que o personagem tinha uma história interessante já pronta.

Los Illuminados

Em RE4 (2005), o culto religioso estava totalmente enraizado na vila e no castelo. Mas, quando chegávamos à ilha, parecia que tudo aquilo que ficava para trás. Tudo dava a entender que Osmound Saddler estava usando a religião como ferramenta para atingir seus planos de destronar os Estados Unidos e controlar o mundo com a Plaga. Já no Remake, a seita ganhou um papel bem mais central nos objetivos políticos de seu líder, que até a última batalha fica chamando Leon de herege e renegado. A Ilha tem até mesmo alguns dos principais santuários de Los Illuminados, reduzindo sua aparente desconexão da vila e do castelo. É explicado que o aparato paramilitar dali serve para resistir a invasores, mas que tudo aquilo é temporário até que a plaga se espalhe para o restante do mundo, que não oferecerá mais resistência ao líder do culto. Eu pessoalmente achei essa mudança bem legal e acho que ela enriquece muito o plano de Saddler.

E afinal, é melhor que Resident Evil 4 original?

Portanto, Resident Evil 4 Remake atualizou um jogo que já era muito bom para a nova geração com maestria. Ele não apaga o original, mas também o supera em muitos pontos, mostrando que é possível sim fazer Remakes bem-feitos e com carinho (e quem dera se tivessem tido esse mesmo amor com Resident Evil 3).

Em um primeiro momento, pensei que continuava gostando mais do Resident Evil 4 original. Não só por conta de coisas que eu não gostei no Remake, como as abordagens de Salazar e Krauser, mas também pelo carinho imenso que tenho por diversas partes do primeiro jogo. No entanto, depois de ver o pessoal falando por aí, pensei: não preciso escolher um, não é mesmo? O Remake de fato foi superior em diversos aspectos de jogabilidade, acrescentou muito ao lore, amadureceu muito vários personagens e otimizou partes do jogo. Mas o RE4 original ainda é um jogo carismático, com seu valor de lore, com partes muito divertidas, com cenas marcantes e uma trilha sonora maravilhosa (gosto mais dela que da nova, sinto muito).

Agora é aguardar o Separate Ways, porque vem mais por aí!

10 anos depois, o potencial desperdiçado de Resident Evil 6

No dia 02 de outubro de 2022, Resident Evil 6 completou 10 anos. Defendido por alguns e desprezado por vários, o jogo até hoje representa, para a maior parte da comunidade de fãs, o maior buraco pelo qual Resident Evil (e a Capcom) já passou. Foi depois da enorme decepção que a Capcom decidiu, então, sentar e refletir de fato sobre onde estavam errando, levando ao processo de criação de Resident Evil 7, considerado pela maior parte dos fãs como um retorno à origens de Resident Evil. Todo esse histórico é explanado no excelente documentário Como Resident Evil 7 salvou a franquia do Blader Koyotte.

Uma década depois, com tantas discussões sobre qual seria a “essência” da franquia e que tipo de narrativa gostaríamos de ter visto nesse jogo que tanto prometia, a pergunta que fica é: em que Resident Evil 6 poderia ter sido diferente? Que ideias eram boas, mas foram mal aproveitadas? É sobre isso que vamos falar neste décimo aniversário deste jogo que, até hoje, nos traz lembranças tão mistas.

O contexto da crise

Em 2012, o grande desafio era agradar a todos os públicos de Resident Evil após um período de jogos com menos terror e mais ação. Resident Evil 4 e 5 eram um sucesso de vendas estratosférico e até agradavam a velha guarda dos fãs da franquia, mas o pedido pelo retorno do terror era uma constante.

Por isso, a proposta de Resident Evil 6 seria fazer um jogo que equilibrasse terror e ação e também seguisse com a cronologia da série de modo a satisfazer tanto os fãs dos clássicos quanto aqueles que haviam começado pelos jogos mais pancadaria. A Capcom apostou todas as suas fichas nisso, e o título teve o maior orçamento e uma das campanhas de marketing mais extensas da história da empresa até então.

Quem estava lá se lembra: o hype foi avassalador. Certamente o maior hype de todos os tempos de Resident Evil na internet (até porque, depois disso, os fãs passaram a ser bastante cautelosos com o hype). O primeiro trailer mostrava conceitos incríveis como o presidente dos Estados Unidos zumbi e o primeiro encontro dos heróis Chris Redfield e Leon S. Kennedy diante dos nossos olhos.

Entretanto, a recepção não foi aquilo que os criadores esperavam – muito menos o que os fãs estavam procurando.

Adam Benford, presidente fictício dos Estados Unidos em Resident Evil 6, em sua forma zumbi.

Resident Evil 6 se mostrou mais um jogo de ação desenfreada com momentos de terror escassos e muitas vezes forçados, com o “bônus” de ainda ser longuíssimo (até hoje ele é o RE mais longo, com cerca de 20 horas de campanha). E, como se a jogabilidade não bastasse, a história se perdeu tanto na megalomania de Carla Radames e na obsessão de Derek Simmons por Ada Wong que pontos que mereciam muito mais destaque acabaram ficando em segundo plano.

Plots incríveis, porém desperdiçados

Assassinaram o Presidente dos Estados Unidos. Isso por si só dava um game inteiro: Adam Benford estava planejando revelar ao mundo a verdade sobre Raccoon City, a epidemia, o envolvimento do governo dos Estados Unidos, o desenvolvimento de armas biológicas para fins militares. E quem não queria ser desmascarado conspirou para tirá-lo de cena. Teria sido interessante jogarmos partes anteriores à contaminação na Universidade de Tall Oaks e momentos em que Leon e Benford conversavam na Casa Branca, contando mais sobre a relação deles, o plano de Benford e a formação da conspiração para o jogador.

Investigar quem havia planejado o assassinato de Benford poderia ser levado ao longo de todo o jogo, levando à descoberta de um novo vilão com potencial de longo prazo: Derek Simmons.

Derek Simmons de Resident Evil 6. Ele é um homem de pele muito clara e cabelos e barba ruiva com cara de fazendeiro confederado dos Estados Unidos.

Simmons deveria ter sido o principal vilão de Resident Evil 6. Ele era um personagem envolvido com as raízes do perigo biológico no universo de Resident Evil – a produção de BOWs, a destruição de Raccoon City, todas as formas de encobrir isso – e isso dava a ele um peso adequado para se tornar um vilão recorrente na franquia e um possível substituto para Albert Wesker em termos de estar por trás dos principais eventos do bioterrorismo.

Seria muito interessante, por exemplo, ver as tentativas de Simmons de desmoralizar ou desarticular a BSAA, sendo o responsável por infiltrar a Umbrella Azul na organização.

Eu não veria problemas em manter a paixão de Simmons pela Ada. Seria interessante ver ele misturar as coisas, perseguindo Leon tanto por conta da luta do agente contra o bioterrorismo quanto pelo lado pessoal da relação dos dois homens com Ada. Ninguém precisa de Carla Radames para criar esse drama.

Simmons: Fique longe dela, Leon! Você não é metade do homem que ela precisa!

E também não precisaríamos de Carla Radames para o enrendo de Chris Redfield. Afinal, ela não foi a única que fez com que Chris perdesse suas equipes. De resto, a premissa poderia ter sido a mesma: ele tentando recuperar sua confiança, sua memória e se lembrar de quem é. A campanha de Chris é a favorita da comunidade, até por ser a mais coerente. Quem sabe esse processo poderia ser menos frenético, já que é uma ideia perigosa levar um homem sem memória para liderar uma missão militar. Além disso, a meu ver, é uma falha inadmissível que a história da recuperação de Chris tenha sido escrita sem a presença das duas pessoas mais próximas que ele tem na vida, sua parceira Jill Valentine e sua irmã Claire Redfield. Isso sim seria uma “Raccoon City reunion”.

Ideias fora da casinha

Um dos grandes problemas de RE6 é focar nas coisas erradas. Acabamos de falar de diversas ideias incríveis que foram mal aproveitadas em prol de ideias mirabolantes. A principal delas, que conecta as quatro campanhas, é Carla Radames.

Todo fã dos jogos de Resident Evil sabe que a ideia de clones na franquia não é nem um pouco bem-vista pela comunidade. Mesmo quem gosta dos filmes de Paul W. Anderson se cansou desse conceito reutilizado tantas vezes, e mesmo assim a Capcom insistiu no erro, combinando-o a uma megalomania clichê e superficial de vilão que quer destruir o mundo sem motivo aparente ou por pura vingança pessoal.

Carla Radames dizendo a Jake Miller que “Albert Wesker foi um tolo que tentou destruir o mundo” 10 minutos antes de fazer exatamente a mesma coisa

E falando em megalomania, esse jogo está repleto dela: é vilã querendo destruir o mundo, é terrorismo global descontrolado, é uma única pessoa que pode salvar a todos (Jake Miller, um personagem que muitos fãs desgostam e acham dispensável). Sabemos que em parte isso é proposital, já que RE6 é muito baseado em blockbusters americanos cheios de explosões, heróis e resoluções de último segundo, mas esse formato não funciona para Resident Evil. RE sempre teve enredos mais, por assim dizer, maduros – uso político da indústria de armas; pequenos acidentes que revelam grandes redes de corrupção envolvendo políticos, delegados de polícia e empresas; as consequências de armas biológicas caírem nas mãos de terroristas – e, em alguma medida, mais “realistas”, pois dialogam com situações da nossa própria realidade, como sempre faço questão de mostrar aqui no blog.

Essa megalomania infelizmente não saiu totalmente de Resident Evil, entretanto. A centralidade e o plot ultrapessoal de Mãe Miranda em Village (que nada tem a ver com o restante da história da franquia e o pouco que tem é forçado e irrelevante), os poderes quase místicos de Miranda e os de Rose à la Alice, a mania de monstros gigantes (como o Nemesis meleca de RE3 Remake), tudo isso continua aparecendo nos jogos e ainda não demos conta de convencer a Capcom de que não gostamos disso em Resident Evil.

Considerações finais

Apesar de tudo, Resident Evil 6 tem sem seus méritos, provenientes de seus acertos e também de seus erros. As quatro campanhas do jogo são muito bem conectadas e trazem bons personagens, como o próprio Simmons até certo ponto (ah, se não tivesse a Carla Radames…); Sherry, cujo destino após Raccoon City finalmente descobrimos; Helena, que tem um grande potencial para ser parceira de Leon; e claro, o queridinho Piers, que conquistou o coração e as lágrimas dos fãs. A campanha de Ada também é muito boa com a busca da espiã por descobrir quem é a mulher que roubou sua identidade e tem um final brilhante. Além disso, o arco de Chris a respeito de perder sua equipe leva em conta seu passado e enriquece muito o desenvolvimento do nosso querido Capitão.

O Ustanak foi um inimigo bastante bacana que RE6 trouxe

No fim, o pecado de Resident Evil 6 foi ser ambicioso demais. Tentando agradar a todos os públicos, acabou não agradando quase ninguém. O jogo nasceu de ideias muito interessantes e de muito potencial, mas que foram secundarizadas para priorizar outras bastante exageradas, gerando uma enorme bagunça que até hoje não foi resolvida. Por outro lado, foi graças a isso que a Capcom se obrigou a repensar Resident Evil, buscando entender melhor o que os fãs queriam e levando à criação do excelente jogo de survival horror que é Resident Evil 7.

Opinião do Arklay’s Library sobre Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City (COM SPOILERS)

Este texto contém spoilers do filme Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City e parte do princípio que você assistiu ao filme, pois não vou explicar as cenas.

Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City ou Welcome To Raccoon City estreou no dia 02 de dezembro de 2021 no Brasil e tem recebido uma reação bastante negativa por parte dos fãs da franquia. Propondo-se a ser uma história mais fiel aos jogos que os filmes de Paul W. Anderson, as prévias do longa haviam gerado um grande hype na comunidade, pois mostravam cenários e personagens conhecidos e amados. Mesmo com tudo isso, no entanto, o produto final não agradou a maioria.

Eu estou aqui hoje para ir na contramão e dizer que reconheço todas as falhas, mas ainda assim gostei, me diverti e me empolguei com o filme. Essa é minha opinião COM spoilers da produção que abreviarei na sigla WTRC para facilitar.

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9 razões para trazer Jill Valentine de volta #BringBackJill

De todas as reclamações que a comunidade de Resident Evil tem, boas ou ruins, de longe a mais significativa delas – e, ainda bem, muito justa – é a ausência de Jill Valentine nos últimos jogos da cronologia. Amada por tantos, ela não parece ser tão do gosto da atual gestão da Capcom. Especula-se muito sobre o porquê disso, mas isso é problema deles, queremos ela de volta!

Tanto é o desagrado dos fãs com o chá de sumiço de Jill que foi criada uma campanha nas redes sociais (se não me engano pelo Resident Evil Project) com as hashtags #BringBackJill e #BringBackJillValentine para chamar a atenção da Capcom. Este texto é parte disso!

Quais são os seus motivos para querer Jill de volta? Gostaria muito de ouvir de vocês. Hoje, listei apenas alguns. Bora lá?

9. Jill é uma das fundadoras da BSAA

Ao lado de pessoas como Chris e O’Brien, Jill é um dos 11 originais da BSAA. Ela certamente tem um papel muito importante e muito influente na organização mesmo que não esteja mais atuando no campo de batalha. E, no atual momento na cronologia, a BSAA é a principal organização de combate ao bioterrorismo no universo de Resident Evil. Em um mundo cheio de bioterrorismo…isso é bem importante, né?

Emblema da organização fictícia BSAA de Resident Evil. Ele mostra o globo e em uma faixa dá o nome da sigla, Bioterrorism Security Assessement Aliance, em tradução livre Aliança de Assistência e Segurança contra o Bioterrorismo.

8. Algo de errado não está certo na BSAA

Em Resident Evil Village, descobrimos que há algo de muito errado na BSAA. Há evidentes sinais de corrupção na organização como a aliança com a Umbrella Azul, o envio de B.O.W.s para o campo de batalha, o acobertamento de incidentes biológicos… fica bem claro que Chris não está nem um pouco feliz com isso e Jill certamente não estaria.

Jill sempre foi conhecida por sua inteligência, responsabilidade e capacidade de resolver problemas. Portanto, mais do que nunca ela é necessária, pois o que está em jogo são todos os valores que ela mesma construiu ao lado de Chris com a BSAA.

7.  Jill não apareceu em momentos em que devia ter aparecido

Uma coisa muito intrigante da narrativa capenga de RE6 é que, no processo de recuperar a memória de Chris, duas pessoas fundamentais para ele não estão presentes: sua própria irmã Claire e sua parceira de toda a vida, Jill. Para mim e certamente para boa parte da comunidade, isso é um erro muito crasso por parte da Capcom. Talvez isso tenha acontecido nos bastidores, mas por que não mostrar isso explicitamente?

Chris Redfield bêbado em Resident Evil 6.

Além de RE6, Village também pecou. Se Chris está trabalhando nas sombras por causa dos problemas dentro da BSAA, Jill também estaria, não? Ou ao menos eles estariam trocando informações, talvez no mesmo sentido do que aconteceu nos tempos de Raccoon – com Chris fazendo a louca e investigando por fora e Jill ficando na cidade/BSAA para investigar de perto. Esperamos que o plot da BSAA corrupta traga algo assim para Resident Evil 9.

6. Jill aparece em outros produtos de Resident Evil e em outros games, mas não na cronologia principal

Quase sempre que temos algum produto cultural que traz alguma referência ou easter egg de Resident Evil, quem aparece é Jill. São exemplos o recente pacote de RE para Dead By Daylight, Marvel Vs. Capcom 3, a roupa dela para Dead Rising 4, a lojinha Jill’s Sandwiches também em Dead Rising, entre outros.

Arte de Jill Valentine de Marvel versus Capcom 3. Ela usa a roupa de Resident Evil 5 e tem duas submetralhadoras.

Jill também é destaque em outras produções de Resident Evil, como os filmes da Milla Jovovich – Jill apareceu em 3 deles, sendo que dois foram depois da última aparição cronológica da personagem nos jogos – e no longa Welcome to Raccoon City que está para sair.

Isso deixa claro que Jill é o rosto de Resident Evil. Então por que deixá-la de fora?

5. Para valorizar as personagens femininas de Resident Evil

Uma reclamação bem frequente na comunidade nos últimos tempos tem sido a forma como as personagens femininas, antes sempre tão fortes, cheias de personalidade e independentes, têm sido menosprezadas nos últimos produtos da franquia.

Não que elas não tenham aparecido ou demonstrado força. Mas especialmente com Claire, algumas coisas se mostraram bastante incômodas: em Infinite Darkness, Claire teve pouco tempo de tela, sendo tratada como um acessório da história de Leon, e foi muito agredida por homens (o mesmo pode ser dito sobre Shen Mei). Em RE2 Remake, ela também apanha de Brian Irons, algo que incomodou muita gente, mesmo que fosse coerente com a situação e com o personagem do chefe de polícia.

Jill Valentine em Resident Evil 5. Ela está muito agressiva, pois está com o dispositivo de controle P30 cravado em seu peito.

Jill é uma das grandes musas dos videogames e Shinji Mikami sempre se esforçou para que ela não fosse um mero apelo à sensualidade dentro de Resident Evil (algo que, convenhamos, decaiu bastante depois que ele saiu da Capcom…). Não à toa seu diferencial em relação a Chris no Resident Evil original era sua maior inteligência, enquanto ele era mais força bruta (não estou dizendo que o Chis é burro, ok? Ele só não era tão habilidoso como Jill no primeiro RE).

Portanto, seria ótimo se o retorno triunfal de Jill seguisse os velhos moldes de personagens femininas casca grossa, independentes e donas de sua própria história.

4. Ao lado de Leon, Jill é a personagem favorita da galera

Leon é sem dúvida o personagem mais popular de Resident Evil, pois graças ao sucesso de Resident Evil 4 sua fama vai além dos fãs da franquia e percorre o mundo gamer de forma geral. No entanto, quase todo mundo também sabe quem é Jill Valentine.

Entre os fãs, Jill recebe um carinho imenso por ter sido a primeira com quem muitos de nós jogamos (afinal, jogar com Chris era mais difícil rs), por ser uma protagonista tão carismática, por ter enfrentado um dos mais icônicos monstros dos videogames (oi Nemesis!), por ter fechado o arco de Raccoon City e por tantos outros motivos.

Quando alguém pergunta no Twitter sobre o personagem favorito das pessoas, Jill sempre é muito presente. Portanto, um jogo com ela sem dúvida faz sucesso e sucesso é dinheiro, né, Dona Capcom?

Jill Valentine em Resident Evil 3 Remake. Ela está olhando para alguém ou algo fora da câmera com uma expressão de quem está indignada.

3. Jill está sumida da cronologia há 12 anos

A última aparição de Jill nos jogos numerados foi em Resident Evil 5, que se passa em 2009. Depois disso, a única notícia que temos dela é em um file de Resident Evil Revelations 2, um e-mail que ela envia a Barry logo após ter retornado de Kijuju, ou seja, também em 2009.

Isso significa que há 12 anos – tanto na cronologia quanto na vida real – que não fazemos ideia do que Jill está fazendo! Será que ela se recuperou? Será que ela ainda está na BSAA?

Sim, é verdade que Jill foi protagonista em Resident Evil: Revelations (que se passa em 2005 e foi lançado em 2012) e Resident Evil 3 Remake, mas nenhum dos dois avança na história e sim conta acontecimentos de antes de Resident Evil 5.

Afinal, o que aconteceu com Jill Valentine?

2. Ao lado de Chris, Jill é a principal protagonista de Resident Evil

Arte promocional de Chris Redfield e  Jill Valentine para a DLC Lost in Nightmares de Resident Evil 5.

Este é um ponto polêmico, mas podemos tentar pensar da perspectiva de que tudo começou com Jill e Chris. Foi jogando com eles que descobrimos os podres da Umbrella; Jill foi testemunha da destruição de Raccoon City; juntos eles fundaram a BSAA, destruíram a Umbrella, desvendaram as falcatruas da FBC e depois de muito sofrimento venceram o principal vilão da franquia, Albert Wesker.

Há de fato muitos acontecimentos importantes com outros personagens, mas os mais definitivos se passam sempre nas mãos de Chris e Jill. Ultimamente temos tido bastante Chris, mas sem Jill, fica um vazio de incompletude.

Sozinhos eles funcionam bem, mas juntos eles são imbatíveis! Por um retorno dessa dupla, por favor!

1. Ela é Jill Valentine

Matadora de zumbis. Chutadora de bunda de B.O.W.s. Pianista. Desarmadora de bombas. Mestre dos destrancamentos. Jill é tudo isso e muito mais.

Em todos os universos de Resident Evil, ela se destaca por sua determinação, sua bravura, seus valores, sua inteligência e sua perícia. Ela encarou ameaças terríveis e enganou a morte diversas vezes. É muito respeitada por seus amigos e colegas e também por seus fãs que a amam incondicionalmente.

Jill é inspiração para todos nós e tudo o que queremos é poder viver Resident Evil com ela novamente.

Então, por favor, Capcom. #BringBackJillValentine!

Jill Valentine em Resident Evil 3 Nemesis apontando a magnum 44 para algo fora da tela, que é o Nemesis, durante a batalha final.

Analisando Resident Evil: Infinite Darkness, parte 1 – resenha e lore

Este texto contém spoilers de Resident Evil: Infinite Darkness e é o primeiro de um grupo de textos de análise ampla da série.

Resident Evil: Infinite Darkness não parece ter sido muito bem recebida pela fanbase. Embora me pareça que a maioria do público gostou, o meu círculo de amigos e conhecidos parece ter torcido o nariz para a série ou, mesmo que tenham gostado, tiveram uma visão bastante negativa dela.

Isso me pegou de surpresa, porque ainda que essa não seja exatamente uma obra prima, assisti com muita empolgação. Eu concordo com a maioria das críticas, mas não esperava que as pessoas tivessem achado tão ruim.

De qualquer modo, farei meus apontamentos iniciais sobre a série, e nos próximos textos faremos análises mais profundas baseadas nas referências históricas que ela trouxe. Bora lá!

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8 Coisas que gostaríamos de ver em Infinite Darkness

A série Resident Evil: Infinite Darkness (No Escuro Absoluto na versão brasileira) chega à Netflix na próxima semana e a fanbase está ansiosa para descobrir o que espera Claire Redfield e Leon S. Kennedy. Há um amontoado de possibilidades interessantes que a série pode trazer, mas infelizmente sabemos que provavelmente não veremos, já que ela possuirá apenas 4 episódios de cerca de 25 minutos cada.

Mesmo assim, não custa sonhar, não é mesmo? Por isso, reuni algumas coisas que eu pessoalmente gostaria de ver e também algumas nas quais pensei me baseando no que tenho visto o pessoal falando nas redes sociais. Bora lá:

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