Raccoon City como acontecimento histórico

De todos os grandes desastres que permeiam a linha do tempo de Resident Evil, o mais marcante no coração dos fãs é com certeza o incidente de Raccoon City. Começando com os primeiros assassinatos nas Montanhas Arklay e culminando em uma epidemia zumbi que levou à decisão do governo de esterilizar a cidade, essa história definiu Resident Evil como franquia e é até hoje muito referenciada (e reverenciada) pelos fãs.

Graças a esse apelo, a Capcom (e a Constantin…) faz questão de aludir à cidade o tempo todo: “Raccoon City tudo de novo”, “uma nova Raccoon City”, “uma grande reunião de família de Raccoon” são frases que ouvimos em diversos jogos e filmes posteriores, isso sem contar os retornos da cidade em spin-offs (canônicos ou não) e nas reimaginações.

Mas não é somente para nós do mundo exterior que Raccoon City ficou marcada para sempre. Essas referências que a Capcom faz, além de serem fanservice, também mostram como dentro do universo de Resident Evil o desastre foi impactante na memória dos protagonistas e de diversos outros personagens com os quais eles se cruzaram.

Neste 28 de setembro, portanto, nada mais justo que dedicar um texto para esse acontecimento, não?

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Jason “Rambo”, herói do Penamistão, e os traumas de guerra – Analisando Resident Evil: Infinite Darkness, parte 3

Alertas: Este texto contém alusões a temas muito sensíveis como traumas de guerra, tortura psicológica e suicídio. Também contém spoilers da série Resident Evil: Infinite Darkness.

Embora os protagonistas anunciados de Resident Evil: Infinite Darkness fossem Leon e Claire, o enredo da série girou em torno da Guerra Civil no Penamistão, da qual o protagonista é principalmente Jason, chamado de “herói do Penamistão”. O veterano de guerra, no entanto, está longe de se ver como um herói.

Desde o período de divulgação, tive a sensação de que Jason seria um personagem ambivalente dentro da história. Isso se confirmou na obra completa, e ele acabou até sendo o “chefão final” da série. A meu ver, no entanto, isso não o torna exatamente um vilão, mas também não exatamente um anti-herói. Embora isso não tenha sido explorado adequadamente no enredo, ele é na verdade um personagem bastante complexo que não é fácil de compreendermos com uma simples dicotomia entre bem e mal.

Este olhar me fez suspeitar que Jason não estava muito bem.

Jason sabe a verdade sobre o que aconteceu no Penamistão e só recebeu a honra de herói para que a imagem de seu superior, o então major-coronel Wilson, fosse promovida. Foi assim que Wilson alcançou o posto de Secretário Geral da Defesa, um dos cargos mais importantes e influentes do Estado Americano.

Junto dos outros Cães Ferozes (Mad Dogs), então, Jason foi obrigado a cumprir ordens secretas e ilegais de Wilson para que ele lhes fornecesse o inibidor do vírus com que haviam se infectado no Penamistão. E essa chantagem, junto das experiências traumáticas de guerra, foi mexendo com a sanidade de Jason e com suas convicções.

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O Penamistão e as guerras da vida real – Analisando Resident Evil: Infinite Darkness, parte 2

Este texto contém spoilers de Resident Evil: No Escuro Absoluto.

Resident Evil: Infinite Darkness ou No Escuro Absoluto tem uma porção de referências históricas e paralelos políticos não exatamente sutis em seu enredo. Embora esses elementos tenham sido explorados com superficialidade pela execução final da obra, acredito que é bastante enriquecedor que nós os exploremos de modo a aprofundarmos o que a série em si não aprofundou.

Este é um texto com temas sensíveis e que possivelmente podem gerar polêmicas, mas aqui o debate deve ser feito com respeito tanto aos debatedores quanto aos grupos sendo discutidos. Se alguém vier de preconceito contra árabes, afegãos, chineses, muçulmanos ou de qualquer outro grupo cultural, terá seus comentários sumariamente apagados.

Penamistão e…Afeganistão?

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A hegemonia dos Estados Unidos e a ordem global que Derek Simmons queria preservar

Lá pelas tantas da campanha do Leon em Resident Evil 6, Derek Simmons se justifica sobre sua motivação para assassinar o Presidente Adam Benford. Segundo ele, se a verdade sobre Raccoon City tivesse sido revelada, os Estados Unidos teriam perdido sua autoridade e a ordem política global teria colapsado. Essa ordem global é, para ele, a posição de liderança dos Estados Unidos diante do resto do mundo, algo que Resident Evil tirou diretamente da nossa realidade.

Vamos conversar, então, sobre a constituição dessa ordem global e como ela se relaciona com o resto da franquia?

O interesse de Simmons na manutenção da ordem global tem relação, naturalmente, com o poder que ele próprio possui nessa conjuntura. Ele grita: “Ele [Benford] estava levando o meu país e este mundo ao completo caos!”, numa referência aos EUA não somente como seu país de origem, mas também ao país que ele domina. Como Ada já havia falado nas catacumbas: “Estamos falando das pessoas que realmente governam este país, em um jogo muito perigoso”.

Derek Simmons em Resident Evil 7 muito bravo segurando um dispositivo quebrado enquanto exige sinais de infecção por vírus.
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